D. Dinis Business School

CRÓNICAS DE GESTÃO |  IMIGRAÇÃO E REVOLUÇÃO

CRÓNICAS DE GESTÃO | IMIGRAÇÃO E REVOLUÇÃO

Vítor Ferreira

Diretor Executivo da D. Dinis, Business School

“Se apenas um homem fosse necessário para sustentar o Estado, esse Estado não deveria existir; e no fim não existirá” (Simón Bolivar).  Na Venezuela, o Governo “quase-ditatorial” (ou já não o será mesmo?) manipula parte dos media para passar uma narrativa de revolução e contrarrevolução, a favor e contra o povo, justificando uma destruição das instituições democráticas (uma cartilha que outros têm escrito de forma transcendentemente corrupta, como seja o caso de Putin na Rússia, Erdogan na Turquia, mas até mesmo em países supostamente democráticos como a Polónia, a Hungria ou os EUA, onde a Fox News se instituiu de forma afirmada como máquina de propaganda de Trump, funcionando como um círculo de regurgitação entre a Presidência e os jornalistas). Obviamente que também as sociedades liberais e verdadeiramente democráticas têm os seus problemas com a manipulação de comunicação, com alguns grupos a exercerem influência (desmesurada) sobre a opinião pública, gerando e eliminando opções políticas (hoje mais com a ajuda de ferramentas de redes socias e análise de comportamentos individuais). Mas esta é uma crónica sobre economia e sobre a imigração da Venezuela. Em Portugal, a maioria da comunicação social tem construído uma imagem alarmista sobre a forte imigração da Venezuela (à semelhança da crise dos refugidos na Europa), quando, na verdade, do ponto de vista económico, a maioria dos estudos aponta efeitos positivos da imigração no crescimento económico - mais consumidores e mais trabalhadores, que não geram necessariamente desemprego, porque muitas vezes assumem postos de trabalho que não são desejados pelos locais, criam os seus negócios ou ocupam posições carenciadas contribuindo para a acumulação de capital humano. Esta questão é ainda mais relevante num Continente envelhecido como o Europeu, sendo exemplo disso Portugal que à baixa natalidade junta a sua emigração (fenómeno histórico português, que torna ainda menos moral uma posição contra a imigração), onde as atuais projeções reduzem o país a 6 milhões de habitantes em 2050, com todas as consequências negativas que daí advêm. Esta é, pois, uma oportunidade para o país, com potenciais choques negativos de curto prazo, mas essencial para a sustentabilidade da economia no futuro. Haja visão e coragem para a realizar.

Crónica publicada no Jornal de Leiria a 15 de agosto de 2017.

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